BLUES BLOG RECOMENDA

Uma das capas mais feias da história da música, é verdade. Mas acaba aí a única coisa ruim deste disco. Um dos melhores de Blues de todos os tempos. A iniciativa da Alligator foi juntar em 1991 quatro monstros da gaita para tocarem juntos, James Cotton, Carey Bell, Billy Branch e Junior Wells. Evidente que não tocam juntos em todas as músicas, geralmente são dois ou até 3, cada um em uma volta dos 12 compassos, mostrando a capacidade de improvisação desses caras. Down Home Blues, por exemplo, é uma em que todos estão juntos, cantam e tocam, cada um na sua vez. Outra, Keep Your Hands Out of my Pocket, tem na letra diálogos improvisados entre 3 gaitistas (Bell, Cotton e Wells).
A banda é basicamente a de James Cotton, com inspirados Lucky Peterson no piano e Michael Coleman na guitarra, além de Johny B. Gayden no baixo (vindo da banda de Albert Collins). O resto é por conta dos gaitistas. Esses caras tocaram com todos os grandes do Blues. Eram titulares das bandas ou de Muddy Waters ou Howlin Wolf, só pra não falar muita gente. Junior Wells se consagrou ao lado de Buddy Guy, vale relembrar, pois teve pequena passagem pela banda de Muddy.
Aqui eles tocam Chicago Blues na veia. Da mais alta qualidade. Interpretações descomunais de standards do estilo. Gaitas afiadas. Distorções precisas. Todas as músicas sensacionais. A única lenta é Black Night, onde James Cotton humilha no vocal e na gaita. Uma das melhores performances de sua vida. Em Broke and Hungry, Junior Wells consegue dar gás novo ao seu famoso hit. Um álbum inesquecível que fica aqui recomendado em homenagem ao falecimento recente de Carey Bell. As músicas estão abaixo, como são tradicionais na maioria, cuidado, talvez não seja a versão deste álbum que você está baixando.
01. Down Home Blues - 6:23
02. Who - 4:01
03. Keep Your Hands Out of my Pocket - 5:56
04. Little Car Blues - 3:33
05. My Eyes (Keep me in Trouble) - 5:30
06. Broke and Hungry - 4:30
07. Hit Man - 2:36
08. Black Night - 8:54
09. Somebody Changed the Lock - 3:54
10. Second Hand Man - 4:01
11. New Kid on the Block - 4:30
Escrito por Snow às 22h22
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FAT MAN BLUES
Lá no começo do Blues 95% das músicas tinham no nome a palavra do estilo. Exemplos não faltam, como Travelling Riverside Blues, só pra falar um. Pegue a discografia da rapaziada dos anos 20 a 40 que está lá. Isso ainda continua, em menor proporção e até apareceu no bom rock n´ roll, como Roudhouse Blues do The Doors e em bandas recentes como o ótimo White Stripes. Nessa carona, o estúdio de design de Ryan McClurg, o Rugged Woodsman, deu o nom e de Fat Man Blues para a ilustração e design que criaram para um shape de skate. Será que esses caras ouvem Blues? Acho que não, mas bem informados eles são.
Escrito por Snow às 18h12
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FALECEU CAREY BELL

Com tristeza pessoal informo que um dos maiores gaitistas de todos os tempos do Blues faleceu de parada cardíaca. O impressionante Carey Bell, aos 70 anos, morreu no Kindred Hospital em Chicago, onde estava internado. Carey Bell começou a tocar cedo, quando foi para Chicago viver com o avô que era pianista. Lá fez amizade com Little Walter e Big Walter Horton, que seriam seus professores e influenciadores.
Bell tocou nas bandas de Muddy Waters, Howlin Wolf, Honeyboy Edwards, Earl Hooker, entre outros. Em 1969 lançou pela Delmark Recrds seu primeiro álbum solo, Blues Harp. Além de ser um dos sideman preferidos de Chicago, ali despontava um bandleader, que além de tocar demais era capaz de cantar muito bem.
Três anos depois lança pela Alligator Records Big Walter Horton with Carey Bell. Aluno e professor juntos em um grande álbum. Carey Bell tocava guitarra e baixo, inclusive. E sua habilidade na gaita diatônica e na gaita cromática eram impressionantes. Eu, particularmente, acho um dos melhores gaitistas que tocam notas agudas, muito difíceis de agradar porque "furam" o ouvido se uma sair errado.
Mesmo com a projeção de sua carreira solo, não deixou de participar de outras bandas. Entre elas a de Eddie Clearwater, Willie Dixon, Louisiana Red, Jimmy Rogers, Sunnyland Slim, Bob Margolin, Buster Benton e praticamente todo músico que teve uma banda em Chicago. É impressionante.
Fez parte de um projeto inovador pela Alligator Records quando foi escalado para ser um dos astros do álbum Harp Attack, que reunia 4 dos maiores gaitistas de Chicago em atividade tocando juntos no mesmo álbum. Um dos melhores discos de Blues já feitos, sem dúvida. Ao lado de Carey Bell estavam James Cotton, Junior Wells e Billy Branch.
Um de seus últimos trabalhos é ao lado do filho e guitarrista Lurie Bell, que agora carrega o nome da família no mundo do Blues, com muita competência. Carey Bell entrou para a história do Blues pelo que fez em vida, sua morte deixará saudades aos fãs do bom Blues de Chicago, elétrico, intenso e cru.
Escrito por Snow às 17h59
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