SOBRE O SHOW DE MUD MORGANFIELD NO SESC VILA MARIANA

Não informei aqui por falta de tempo e conhecimento que o filho de Muddy Waters, Mud Morganfield, tocaria também no Sesc Vila Mariana, por 30 dinheiros. Comprei um dos últimos ingressos. O show foi ontem (sábado) e teve pontos bem bacanas e outros nem tanto. O melhor do show foi Mud, uma voz realmente possante e um sujeito bem alto-astral. A semelhança com o pai é impressionante. Antes de entrar no palco, a banda brazuca fez duas músicas instrumentais, numa formação clássica de uma Chicago Blues Band - piano, bateria, baixo, guitarra e gaita. Destaque para Igor Prado, o melhor guitarrista em atividade em São Paulo. A cada show o cara se supera. Só que ele se empolgou demais e acabou arrebentando uma corda da guitarra. Então Mud foi introduzido ao público. Chegou de terno preto, chapéu e uma toalha brancos e sem lero-lero já saiu cantando um clássico do pai, Walkin Thru The Park. Com o problema na guitarra do melhor músico da banda, os solos se concentraram no gaitista e no pianista, que estavam bem abaixo da missão que lhes cabia. Não erraram, mas não cativaram. Mas como o show era de Mud Morganfield (vendido como Muddy Waters Jr. no cartaz do Sesc) o cara segurou bem a onda e cantou demais, ele sim, empolgando a rapaziada. Sentado num banco ao centro do palco, parecia um clone do pai. Dançou, gesticulou, fez comentários entre os solos, enfim, reproduziu todos os tiques do pai. A única diferença é que Mud Jr. não toca guitarra. O bluesman foi muito sincero ao assumir sua proposta nesse show, que é uma baita homenagem ao seu pai. Ele não tenta imprimir o "seu" som. Ele é uma cópia do pai, sabe que não é o velho Muddy, mas é o mais próximo que alguém pode chegar. Noventa por cento das músicas foram do repertório de Muddy Waters. Tocaram Hoochie Coochie Man, Baby Please Don´t Go, Mannish Boy, I´m Ready entre outras. Duas covers clássicas rolaram também, Good Morning Little Schoolgirl, famosa com Sonny Boy Williamson II e uma bela versão de Caldonia, famosa com B.B. King. O bis teve uma excelente versão de Got My Mojo Working, com Igor mandando riffs de James Brown em seu solo que caíram como luva. Uma pena mesmo foi o problema da guitarra, que só foi resolvido mesmo da metade do show pra frente. Porque Igor estava bem inspirado. Se a banda não estava a altura dos antigos parceiros de Muddy, e se o filho não é o pai, o que vimos foi uma ótima noite de covers e um tributo muito especial ao sujeito que, ao lado de B.B. King, botou o Blues no mapa da música. Viva Muddy Waters!
Escrito por Snow às 19h19
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